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A vida é um grande encontro: Filmes de Nutsa Gogoberidze, Lana Gogoberidze e Salomé Alexi
IMS PAULISTA 10/02/2026 (terça) 18h Mãe e filha, ou A noite nunca é completa 20h Buba + Ujmuri 11/02/2026 (quarta) 19h30 Sob um mesmo céu + Felicità 21/02/2026 (sábado) 15h30 Sob um mesmo céu + Felicità 22/02/2026 (domingo) 14h Mãe e filha, ou A noite nunca é completa 16h Buba + Ujmuri A noite nunca é completa Há sempre, já que digo Já que afirmo Ao fim da tristeza Uma janela aberta Uma janela iluminada Há sempre um sonho que vela Desejo a realizar, fome a saciar Um coração generoso Uma mão estendida, uma mão aberta Olhos atentos Uma vida, a vida por compartilhar. - “E um sorriso” (“Et un sourire”, 1951), do poeta francês Paul Éluard (1895-1952), cujos versos são declamados no filme Mãe e filha, ou A noite nunca é completa, de Lana Gogoberidze e Salomé Alexi Quando Lana Gogoberidze estava filmando seu primeiro longa-metragem, Sob um mesmo céu (Erti tsis kvesh, 1961), ela se deparou com uma cena que a lembrou de sua mãe. No filme da então jovem diretora georgiana, uma princesa deposta anda no mar até se afogar, enquanto sua criada caminha para fora da água. Na vida real, uma menina de 8 anos andou com sua mãe até o mar no dia seguinte à prisão por motivos políticos de seu pai, no final de 1936. Ela viu sua mãe entrar na água e ficou com medo de perdê-la. Nutsa Gogoberidze foi a primeira mulher a dirigir filmes na Geórgia, e sua filha Lana adentrou o cinema sem nunca ter visto nenhuma obra da mãe. Nutsa nasceu em 1902 na província georgiana de Saingilo (hoje pertencente ao Azerbaijão) e cresceu em uma família de nove irmãos, entre eles seis irmãs, todas sendo recipientes de educação formal com o apoio do pai, um professor de matemática. Nutsa estudou filosofia na Geórgia e na Alemanha e aprendeu quatro línguas. Uma curiosidade sobre outras culturas e modos de pensar eventualmente a levou a trabalhar no Goskino, em Tiblíssi, o grande estúdio georgiano de cinema, fundado em 1921, no mesmo ano em que as forças da União Soviética (lideradas pelo nativo da Geórgia Josef Stálin) anexaram a República Democrática da Geórgia para torná-la um território soviético. O primeiro filme de Nutsa foi o documentário O reino deles (Mati samepo, 1928, agora perdido), codirigido pelo também georgiano Mikheil Kalatozishvili (que, com o nome de Mikhail Kalatozov, dirigiu clássicos do cinema soviético, como Quando voam as cegonhas/Letyat zhuravli, de 1957). O filme era uma sátira ao governo Menshevik, que liderou a República Democrática da Geórgia até ser deposto pelos bolcheviques em 1921. Em outubro do mesmo ano de seu lançamento, Nutsa deu à luz à Lana, sua primeira e única filha. Dois anos depois, Nutsa dirigiu seu primeiro filme solo, o híbrido de documentário e etnoficção Buba (1930), sobre um vilarejo em Racha, uma região montanhosa cercada pela cordilheira do Cáucaso Maior. A cineasta foi a única mulher em uma equipe que enfrentou os desafios naturais do local para mostrar os costumes milenares daquela comunidade, em contraste à chegada do progresso levado pela construção de uma barragem e de resorts turísticos. O filme retratou com seriedade e dedicação os hábitos locais e a vida em harmonia com a natureza, sem utilizar os recursos do cinema de propaganda soviético que exaltavam o progresso bolchevique. Consequentemente foi censurado. Quatro anos depois, Nutsa lançou seu primeiro e único longa-metragem solo, Ujmuri (1934), uma ficção centrada em uma comunidade feudal, nos pântanos de Mingrélia, que sofre com as doenças e os perigos naturais da região, e se divide entre a adesão ao progresso levado pela juventude comunista e a crença nas lendas locais. O filme recorre a momentos de simbolismo ambíguo e invocações da mitologia da região de uma forma estilisticamente ousada que foi contra o então dominante realismo socialista e a exigência do uso de arquétipos padronizados em detrimento a expressões individualistas. Ainda que adotando uma mensagem progressista, ele foi interpretado pelos censores como um gesto contraditório à estética soviética do momento e também foi censurado. Na década de 1920, Nutsa se casou com Levan Gogoberidze, um seguidor do comunismo que subiu à posição de primeiro secretário do Partido Comunista Georgiano. A carreira dele acabou com acusações crescentes de subversão à ideologia do partido. Levan foi encarcerado e assassinado como parte do Grande Expurgo na década de 1930, que resultou nas mortes de centenas de milhares de pessoas consideradas inimigas do stalinismo. O Grande Expurgo também resultou nos encarceramentos por motivos ideológicos de milhares de familiares de presos políticos, como a própria Nutsa, que foi enviada para a Sibéria em 1937, alguns meses após o encarceramento de seu marido. Nutsa passou a década subsequente no sistema de trabalhos forçados dos campos soviéticos, conhecidos como gulags, anos antes do escritor russo Aleksandr Soljenítsyn ter popularizado o termo para o mundo. Lana tinha apenas oito anos quando Nutsa foi presa, e 18 quando recebeu sua mãe em casa de volta. A menina viveu em um orfanato até ser resgatada por suas tias, que viviam na França, e que também fizeram um esforço, junto a outros parentes na Geórgia, para criar um ambiente amoroso e culturalmente rico para ela, assim como havia tido com seus pais. Lana cresceu com a forte presença espiritual de sua mãe e com a clareza de sua realidade politizada. Amadureceu frente ao preconceito, tanto de seus colegas quanto do próprio sistema. Em um dia na escola, por exemplo, ela foi proibida por seu professor de recitar um poema de Victor Hugo sobre a Comuna de Paris pelo fato de ter seus pais na prisão. Lana voltou para casa e, no mesmo dia, pediu para seu tio transferir ela para uma outra escola. Com o retorno da mãe, em 1947, Lana viu sua casa florescer e novamente se tornar um efervescente centro de encontros com intelectuais locais, como ocorreu durante sua primeira infância. Ela estudou literatura no início da década de 1950 na Universidade Estatal de Tiblíssi e, para sua dissertação de mestrado, traduziu e analisou o trabalho do grande poeta norte-americano Walt Whitman, que foi um pioneiro em sua utilização de versos livres para falar sobre a liberdade individual. Nesse período, Nutsa havia abandonado o cinema e assumido uma carreira como uma influente funcionária do Instituto de Linguística em Tiblíssi, onde seus trabalhos incluíram a edição do dicionário da língua georgiana. Ela jamais comentou sobre seu passado artístico com sua filha, que, apesar disso, expressou o desejo de se tornar uma cineasta. Como filha de prisioneiros políticos, Lana foi inicialmente proibida de integrar o Instituto Gerasimov, a principal escola de cinema na União Soviética, localizada em Moscou. Porém, em março de 1953 – o mesmo mês em que ela se formou em literatura – Josef Stálin faleceu. O medo que Lana e Nutsa sentiram de novos atos de agressão contra pessoas uma vez consideradas inimigas do regime se transformou em alívio com a flexibilização das velhas regras. Lana então conseguiu sair do seu posto como professora de literatura para estudar cinema e se formou no Instituto Gerasimov em 1958, o mesmo ano em que se casou com o importante arquiteto modernista georgiano Vladimir (Lado) Aleksi-Meskhishvili (uma relação que durou até a morte dele, em 1978). Como filme de conclusão de curso, Lana fez o curta-metragem documental Gelati (1958), um retrato pedagógico do monastério georgiano medieval de mesmo nome, construído pelo rei David IV durante o período áureo do país. Nutsa acompanhou sua filha nas filmagens e, ao mesmo tempo, guardou um segredo: Buba abria com cenas da mesma construção. Assim, Lana entrou no cinema seguindo os passos de sua mãe de forma literal, sem se dar conta. Lana estreou na direção de longas-metragens de ficção no início da década de 1960 e, ao longo das mais de seis décadas subsequentes, se tornou uma das mais importantes diretoras do Leste Europeu. Seus filmes foram realizados em uma grande diversidade de estilos, porém com interesses consistentes. Desde o início, sua obra misturou sua própria história de vida com a história geral de seu país, com destaque para personagens femininos e a capacidade de empatia entre mulheres. Sob um mesmo céu consiste em três episódios concentrados em mulheres que testemunham momentos importantes na vida política recente da Geórgia (então conhecida como a República Socialista Soviética da Geórgia), com frequentes alusões à própria vida da cineasta. Por exemplo, a princesa Maya do primeiro episódio (ambientado em 1921) remete a Nutsa, e, no terceiro episódio (ambientado em 1961), uma arquiteta georgiana modernista está concluindo a construção do Palácio Esportivo de Tiblíssi, que na vida real estava sendo construído pelo marido de Lana. Sob um mesmo céu foi realizado com virtuosidade técnica. Ainda que sofrendo com a censura política, que já havia se tornado mais branda do que na época de seus pais, Lana pôde desfrutar do rico ambiente cultural e, em particular, cinematográfico, oferecido pelo sistema soviético. Seus primeiros longas-metragens foram grandes produções de estúdio com estéticas que variam do neorrealismo para um modernismo europeu característico dos anos de 1960, com enredos que refletem a história recente da Geórgia e o conflito existencial do presente, frente a repressão vivida no passado. Seu segundo longa, Eu vejo o sol (Me vkhedav mzes, 1965), apresenta o sofrimento de uma aldeia georgiana durante a Segunda Guerra Mundial, a partir da perspectiva esperançosa de uma jovem mulher cega que enxerga apenas a luz do sol. Lana foi novamente acompanhada por Nutsa durante a realização do filme, inclusive para ajudar a cuidar de sua primeira filha, Keti, que nasceu durante as filmagens. A segunda filha de Lana, Salomé Alexi, nasceu em março de 1966. Nutsa morreu seis meses depois, em decorrência de uma condição que ela desenvolveu durante o período em que esteve exilada. Lana e seus parentes passaram a chamar a criança de “Nutsa”, um segundo nome que Salomé carrega até o presente. Salomé também herdou o legado cinematográfico de sua família e desde criança atuou nos filmes de sua mãe, a começar com Limites (Peristsvaleba, 1968), realizado logo após a morte de Nutsa. O filme retrata, por um lado, a vida privada de um casal em crise e, por outro, faz um questionamento sobre o papel do artista na sociedade soviética, com os dilemas enfrentados por um diretor de teatro em Tiblíssi que testemunha um assassinato em um local público. Como denunciar através da arte o estado de violência daquele momento? A trama ainda faz referência ao exílio de Nutsa, por meio de uma personagem que sofre com a lembrança silenciosa de seu passado na Sibéria. Salomé também aparece como a jovem filha da protagonista no filme mais celebrado de Lana, Algumas entrevistas sobre problemas íntimos (Ramdenime interwiu pirad sakitchebse, 1978), sobre a história de uma jornalista na Tiblíssi moderna que, para sua coluna no jornal, entrevista mulheres de diferentes partes do país sobre suas condições de vida. Casada e com filhos, a mulher (interpretada pela estrela georgiana de cinema Sofiko Chiaureli) se divide entre a vida matrimonial e doméstica e seu trabalho autoral. A personagem autoficcional também se divide entre o presente e o passado, encarnado em momentos impressionistas de suas memórias de infância e de seu primeiro reencontro com sua mãe (interpretada por uma amiga de Nutsa que conviveu com ela na Sibéria) após a volta dela do exílio. As referências que a personagem toma de outras experiências femininas acabam fortalecendo-a para enfrentar os desafios do seu dia a dia. “A história da minha mãe reflete a história de toda a União Soviética e das mulheres na União Soviética no tempo dela”, Lana relatou certa vez em uma entrevista.[1] Ela foi mais a fundo no filme A valsa no rio Pechora (Walsi petschorase, 1992), que adaptou de um conto escrito por Nutsa sobre o exílio na Sibéria e lançou em meio à guerra civil georgiana que acompanhou a saída do país da URSS. O filme retrata o cotidiano da jovem Anna (interpretada por Nino Surguladze), que, após ter sido separada de seus pais e de sua família e ter vivido em um orfanato, tenta retornar para casa – agora ocupada por um militar stalinista –, em contraponto ao dia a dia de sua mãe e de outras mulheres que se deslocam na Sibéria, de um campo de trabalho para outro, perto do grande rio russo do título. Enquanto Anna procura sobreviver na casa com o velho e tacanho militar, sua mãe procura fazer o mesmo, mantendo a mente sã com singelos gestos, como escrever cartas, tricotar um casaco e fazer pequenos bonecos de pão para sua filha, sem saber se eles algum dia a alcançarão. A tragédia da separação das duas mulheres se amplia com os depoimentos de outras prisioneiras, comunicando assim a universalidade da ruptura que a guerra e o totalitarismo impõem. Também em 1992, após fazer A valsa no rio Pechora, Lana trocou o cinema pela política, ao assumir um posto no Parlamento da Geórgia independente, que havia passado por duras manifestações, golpes de estado e expulsões de diversos dos seus cidadãos. Ela se dedicou a promover a liberdade política e artística e atuou como membra da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e embaixadora da Geórgia para a França. Essas atividades coincidiram com uma grande diminuição dos recursos financeiros e técnicos na Geórgia para a realização de cinema, justamente devido à dissolução do sistema soviético. Assim, Lana passou as três décadas subsequentes sem realizar outros filmes. Salomé Alexi se formou em artes plásticas na Academia de Belas Artes de Tiblíssi, em 1988, e depois, trabalhou na indústria cinematográfica georgiana como diretora de arte e de figurino. Ela também quis estudar cinema formalmente e, apesar da estrutura fortemente amorosa que sua mãe e outros parentes lhe ofereceram, sentiu que seria difícil fazer isso na Geórgia com uma família tão conhecida localmente. Ela se mudou em 1992 para a França, onde entrou na escola parisiense de cinema La Fémis, então sob a direção do renomado roteirista Jean-Claude Carrière. Seu filme de conclusão de curso, E se fôssemos para o mar? (Si on aillait à la mer?, 1996), retrata o triângulo amoroso centrado em uma jovem fotógrafa georgiana vivendo em Paris, que se divide entre o namorado francês e a paixão por um músico conterrâneo. O filme traz elementos do cinema experimental, com pinturas em película que remetem à primeira formação artística de Salomé. Ele contou com as participações de seu colega na escola, Jean-Louis Padis, futuro cinegrafista e produtor dos filmes dela e de Lana, e Giorgi Tsintsadze, um compositor georgiano veterano que fez a trilha sonora para A valsa no rio Pechora. Ainda que compartilhando de diversos colaboradores de sua mãe, a estética e o estilo de narrativa cinematográfica de Salomé diferem profundamente dos de Lana, em particular por se dedicar a retratar de forma objetiva a condição social e econômica de um país integrado, porém enfrentando diversos desafios com o sistema capitalista europeu. Os filmes dela fazem isso muitas vezes através de planos fixos para mostrar a complexidade de uma situação em sua totalidade. A sombra da União Soviética nos filmes de Lana se transforma, nos filmes da Salomé, na sombra da União Europeia, cada uma com seus problemas. Felicità (2009), o celebrado média-metragem de Salomé, abre com a informação de que um número crescente de imigrantes ilegais femininos está indo para os países “desenvolvidos” em busca de sustento para suas famílias. No caso da Geórgia, trata-se de mais de dez por cento da população geral. O filme ilustra a situação de forma cômica, ao retratar o velório de um homem de meia-idade em uma pequena aldeia georgiana. Toda a comunidade (inclusive crianças interpretadas pelos três filhos de Salomé) participa da cerimônia de forma presencial, menos a viúva, que está trabalhando na Itália ilegalmente como uma cuidadora de idosos e só pode comparecer como uma voz ao telefone. Salomé fez seu longa-metragem de estreia, o tragicômico Linha de crédito (Kreditis limiti, 2014), a partir da acentuada crise de moradia de seu país, onde uma grande porcentagem da população perdeu suas casas por causa de hipotecas não pagas. A história do filme se concentra em uma mulher (interpretada por Nino Kasradze), pertencente a uma família georgiana historicamente rica, que atualmente acumula empréstimos para não perder a sua casa. Conforme ela se encontra com uma grande diversidade de personagens em Tiblíssi que podem ou não ajudar, o filme mostra empatia ao seu desejo de manter o status quo. A própria cineasta também trabalhou durante esse período para preservar o legado de sua família. Salomé se juntou a Lana na busca para localizar os filmes de Nutsa, que, se tivessem sobrevivido, estariam em Moscou, como a história do cinema soviético em geral, cujas políticas governantes exigiam a preservação meticulosa dos filmes, mesmo quando os cineastas eram punidos pelo Estado. Elas encontraram os materiais originais de Buba em bom estado de preservação nas prateleiras do Gosfilmofond em 2009, e os de Ujmuri em 2014. Passaram pelo choque de ver os filmes pela primeira vez e descobrir que eram obras profundamente humanistas que entregaram muito mais do que as mensagens comissionadas de sua época. Depois, juntaram forças para restaurá-los digitalmente e comissionaram novas trilhas sonoras compostas por seus antigos colaboradores Giorgi Tsintsadze (para Buba) e Giya Kancheli (para Ujmuri). Os dois compositores faleceram logo após concluírem o trabalho. Algumas entrevistas sobre problemas íntimos foi restaurado digitalmente em 2019 pela entidade alemã Arsenal – Instituto para Cinema e Vídeo, e Salomé começou um projeto (que segue em andamento) de localização e digitalização dos melhores materiais sobreviventes dos filmes de Lana. E, através da produtora da sua filha, 3003 Filmproduction, Lana voltou ao cinema em 2019, aos 90 anos de idade. Lana recomeçou com a ficção singela e delicada O fio dourado (Okros dzapi, 2019), na qual uma escritora georgiana (interpretada pela também cineasta Nana Djordjadze) revive momentos marcantes de sua vida conforme ela passeia pelos interiores e exteriores de sua casa, em preparação para sua festa de aniversário de 80 anos. A experiência com esse filme inspirou a realização de um documentário ensaístico sobre Nutsa, Mãe e filha, ou A noite nunca é completa (Deda-shvili an rame ar Aris arasodes bolomde bneli, 2023), codirigido por Lana e Salomé. Ao invés de um retrato didático, o filme se torna uma comovente discussão na primeira pessoa de como a relação com Nutsa estimulou a vida e o trabalho de Lana. No processo, ela toma a liberdade de fazer observações sobre cenas dos seus próprios filmes – por exemplo, a atração irresistível que ela sente por cenas em que suas protagonistas femininas dançam e como ela sempre imagina sua mãe dançando nesses momentos. Salomé se encontra hoje na participação das exibições e retrospectivas dos filmes de Nutsa e Lana e na finalização do seu segundo longa-metragem, que carrega o título provisório de It Was a Dream (“Foi um sonho”). Quando ela nasceu, sua mãe era uma das poucas diretoras de cinema na Geórgia. Hoje em dia, as mulheres cineastas georgianas são mais numerosas do que os homens, algo que tem se tornado comum em muitos países. A dinastia da sua família segue seu curso com uma possível nova geração de cineastas, desta vez encabeçada pelo filho de Salomé, que atualmente estuda cinema na universidade. A Sessão Mutual Films de fevereiro de 2026 é dedicada às memórias dos artistas georgianos que colaboraram com Lana Gogoberidze e Salomé Alexi, entre eles os compositores Giorgi Tsintsadze (1956-2012) e Giya Kancheli (1935-2019), a atriz Guranda Gabunia (1938-2019), a escritora e roteirista Zaira Arsenishvili (1933-2015), o cinegrafista Levan Paatashvili (1926-2023) e a compositora e atriz Manana Menabde (1948-2025). E, também, às memórias dos artistas Béla Tarr (1955-2026), Brigitte Bardot (1934-2025), Eldar Shengelaia (1933-2025), Jards Macalé (1943-2025), Jimmy Cliff (1944-2025), Maria Ribeiro (1923-2025), Mohammad Bakri (1953-2025) e Peter Watkins (1935-2025).
[1] A conversa com Lana sobre Algumas entrevistas sobre problemas íntimos se realizou em 2017 no Arsenal, em Berlim, durante uma retrospectiva do cinema georgiano, e foi publicada em alemão e em inglês no lançamento de 2019 pelo
Arsenal do filme em DVD.
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